
Zoop Payments Leadership pós SXSW: insights sobre IA e pagamentos

O setor de pagamentos se tornou um dos melhores termômetros da economia digital. Afinal, mais do que concluir uma compra, essa infraestrutura sustenta a forma como empresas constroem produtos, plataformas e experiências digitais.
Foi justamente esse cenário que guiou a edição mais recente do Zoop Payments Leadership, encontro que aconteceu ontem, no The Westin São Paulo, e reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir como tecnologia, comportamento e novos modelos de negócio estão redesenhando o mercado financeiro.
Ao longo do evento, temas como inteligência artificial, creator economy, cultura digital, futuro do trabalho e inovação tecnológica apareceram sob diferentes perspectivas.
O ponto em comum entre todas as discussões foi como as mudanças no meio de pagamentos surgem da convergência entre tecnologia, novas infraestruturas financeiras e a maneira como as pessoas vivem e consomem no ambiente digital.
Quer saber o que de mais inovador rolou nesse Zoop Payments Leadership? Continue a leitura e descubra os principais insights do evento!
Por que pagamentos se tornaram uma discussão estratégica?
A abertura do evento ficou por conta de Marcella Calfi, gerente de marketing da Zoop, que mostrou que compreender o momento atual exige olhar para a convergência de vários movimentos ao mesmo tempo.
Tecnologias emergentes, mudanças no comportamento do consumidor e novas infraestruturas financeiras avançam em paralelo e, juntas, redefinem a forma como os negócios crescem e se relacionam com seus clientes.
Um dos sinais mais evidentes dessa transformação aparece no peso que a inteligência artificial ganhou nas discussões sobre inovação. No SXSW 2026, um dos principais encontros globais de tecnologia e criatividade, praticamente todas as conversas passaram por IA em algum momento.
E há uma razão para esse destaque, já que hoje a tecnologia atravessa diferentes áreas e influencia, desde serviços financeiros até segurança digital. Na prática, funciona como uma camada que permeia produtos, plataformas e jornadas de consumo.
Um exemplo é a mudança na forma como consumidores pesquisam e compram hoje:
- 51% dos consumidores já começam suas pesquisas diretamente em IA;
- 60% das buscas terminam diretamente em mecanismos ou LLMs.
Esses dados mostram que, além de convencer consumidores, as empresas precisam convencer algoritmos para aparecer nas recomendações e resultados de pesquisa.
Leia mais: Futuro dos meios de pagamento: como preparar o seu negócio?
Em um mundo de informação constante, como construir narrativas relevantes?
Se a abertura do evento mostrou como tecnologia, IA e pagamentos caminham cada vez mais conectados, a participação da jornalista Christiane Pelajo, âncora da CNBC Brasil, trouxe uma camada complementar à conversa: o papel humano em meio a tanta tecnologia.
A jornalista também citou o evento SXSW 2026 e mostrou que, mesmo com o avanço acelerado da inteligência artificial, o significado continua sendo construído por pessoas.
Para ilustrar essa ideia, a jornalista citou uma frase de Steven Spielberg que resume bem o tema: “A sua melhor amiga é a sua intuição.”
Para Spielberg, grandes decisões não surgem apenas de dados ou modelos computacionais. Ou seja, as ideias nascem da capacidade humana de interpretar contexto, perceber nuances e identificar caminhos que fazem sentido.
Outro ponto importante da conversa foi a transformação do trabalho. A inteligência artificial altera profundamente a forma como profissionais atuam no dia a dia. Em vez de concentrar energia em tarefas repetitivas, cresce o espaço para atividades que exigem visão estratégica e curadoria de informações.
Vale a pena continuar olhando para o SXSW?
Andrea Fernandes, CRO da Publicis Groupe Brasil, provocou a plateia com uma pergunta simples: ainda vale a pena olhar para eventos como o SXSW em busca de tendências?
Segundo ela, durante muito tempo, o mercado organizou o futuro em categorias bem definidas. Existiam tendências de tecnologia, de saúde, de consumo, de beleza, cada tema seguia sua própria trilha.
Hoje, esse modelo já não representa a realidade. Áreas que antes avançavam separadamente passaram a evoluir juntas. Por isso, falar de saúde sem tecnologia, por exemplo, praticamente não faz mais sentido, e o mesmo acontece quando se observa consumo, mobilidade, comunicação ou entretenimento.
A executiva descreve esse cenário com um conceito-chave, o de convergência. Em vez de movimentos isolados, diferentes setores se transformam ao mesmo tempo, influenciando uns aos outros.
Como usar IA para entender melhor as pessoas?
Mesmo com tantas transformações tecnológicas, Andrea Fernandes reforçou um ponto que dialoga diretamente com a fala de Christiane Pelajo: a criatividade humana continua sendo insubstituível.
Ferramentas de IA conseguem analisar volumes gigantescos de dados e identificar padrões com velocidade impressionante. Porém, transformar esses dados em histórias relevantes, campanhas marcantes e experiências que geram conexão ainda depende de interpretação humana.
A principal reflexão trazida é que ninguém tem todas as respostas neste momento. Empresas, profissionais e consumidores estão aprendendo ao mesmo tempo, enquanto novas tecnologias surgem, são testadas e passam a fazer parte da vida cotidiana.
Como a cultura digital está transformando o consumo?
Até aqui, as palestras mostraram como tecnologia, criatividade e comportamento estão cada vez mais conectados e a fala de Marcelo Gripa, jornalista, CEO e cofundador da Futuros Possíveis, trouxe dados concretos para entender como essas transformações já aparecem no dia a dia dos brasileiros.
O jornalista apresentou uma pesquisa inédita realizada em parceria com a Pinion, que analisa a evolução dos pagamentos no país.
Segundo ele, três fatores foram determinantes para que o Brasil se tornasse uma referência global em inovação financeira:
- plataformas abertas, como o Pix e o Open Finance;
- interoperabilidade entre sistemas financeiros;
- a centralidade do celular na vida financeira da população.
Essa combinação acelerou mudanças profundas no comportamento de consumo e na forma como as pessoas lidam com dinheiro.
Um dos exemplos mais evidentes aparece no próprio Pix. Em poucos anos, o sistema se consolidou como parte do cotidiano financeiro do país.
De acordo com os dados apresentados por Gripa:
- 170 milhões de brasileiros utilizam o Pix, cerca de 80% da população;
- mais de 7 bilhões de transações foram registradas apenas em janeiro de 2026.
Saiba mais: Pix 2026: quais as tendências do futuro do pagamento no Brasil?
O Tap to Pay pode substituir a maquininha tradicional?
Gripa também apresentou dados sobre o avanço do Tap to Pay, modelo em que o próprio celular funciona como terminal de pagamento.
A tecnologia permite que comerciantes recebam pagamentos diretamente no smartphone, sem a necessidade de uma maquininha tradicional.
Segundo a pesquisa, a experiência já apresenta níveis elevados de satisfação tanto para quem paga quanto para quem recebe:
- 60% dos pagadores consideram o método mais fácil que a maquininha convencional;
- 72% dos recebedores avaliam a experiência de forma positiva.
Apesar desses números, ainda existe espaço para expansão. Cerca de 60% dos entrevistados afirmaram que ainda não utilizaram a tecnologia, o que indica um mercado com potencial relevante de crescimento nos próximos anos.
O futuro dos pagamentos pode ser “agêntico”?
A parte final da apresentação abordou o conceito de economia agêntica, em que sistemas baseados em inteligência artificial passam a realizar tarefas e transações em nome das pessoas.
Segundo a pesquisa apresentada:
- 61% dos entrevistados considerariam usar IA para pagamentos e compras;
- 40% reconhecem que essa tecnologia pode economizar tempo;
- 29% experimentariam pesquisar e comprar produtos dentro de plataformas baseadas em agentes.
No entanto, existe um desafio importante. Embora muitas pessoas estejam dispostas a usar essas soluções, 85% ainda não sabem o que significa o termo “pagamentos agênticos”.
A internet está deixando de ser feita para humanos?
Vanessa Mathias, cofundadora da White Rabbit, provocou os participantes do evento a repensar a forma como o debate sobre IA costuma acontecer. Segundo ela, a conversa muitas vezes se concentra em como utilizar essas ferramentas no dia a dia.
A questão mais profunda, porém, está em entender como essa tecnologia redesenha ambientes digitais, organizações e processos de decisão.
Uma das mudanças mais visíveis aparece na própria dinâmica da internet. Cada vez mais, plataformas e interações passam a ser mediadas por sistemas automatizados.
Esse cenário já aparece em diversas frentes:
- conteúdos gerados por inteligência artificial;
- respostas automatizadas em serviços digitais;
- interações entre bots, assistentes virtuais e agentes digitais.
Na prática, parte crescente do tráfego e das interações online ocorre entre sistemas, e não necessariamente entre pessoas.
A creator economy virou um dos maiores mercados da internet?
Depois de discutir como a inteligência artificial está remodelando a internet e até a forma como pensamos, o evento avançou para outra transformação que já impacta diretamente marcas e negócios: o crescimento da creator economy.
O tema foi explorado por Marcelo Vieira, diretor de Negócios do TikTok Brasil. Segundo os dados compartilhados:
- o tamanho estimado da creator economy global em 2026 é de US$ 234 bilhões;
- a projeção é que o mercado alcance US$ 500 bilhões até 2030;
- hoje existem 207 milhões de criadores ativos no mundo.
Mais do que produtores de conteúdo, criadores passaram a atuar como novos canais de mídia, influência cultural e descoberta de marcas.
Identidade virou vantagem competitiva?
Segundo Vieira, ferramentas de inteligência artificial podem acelerar a produção de conteúdo, mas não conseguem construir propósito ou identidade de marca.
Um dado citado durante a apresentação evidencia esse desafio:
- 97% dos profissionais de marketing dizem que humanizar a marca é importante;
- porém, apenas 26% acreditam conseguir fazer isso com sucesso.
Nesse contexto, os criadores aparecem como pontes importantes entre empresas e comunidades. Por meio de narrativas mais pessoais e próximas do público, eles ajudam marcas a construir conexões mais autênticas, um fator cada vez mais valioso em um ambiente digital marcado por excesso de informação e conteúdos automatizados.
O que significa liderar em um mundo de trabalho ilimitado?
Se ao longo das palestras anteriores o foco foi como tecnologia, plataformas e comportamento estão transformando consumo, informação e criatividade, a fala de Ricardo Natale, cofundador e CEO da Experience Club, trouxe a discussão para o futuro do trabalho e da liderança.
Ricardo propôs uma leitura interessante sobre a mudança estrutural que estamos vivendo. Durante grande parte da história, o trabalho sempre operou dentro de limites definidos, nos quais a produção dependia de tempo, energia física e atenção humana.
Com o avanço da tecnologia e da inteligência artificial, esses limites começaram a se dissolver, já que sistemas automatizados conseguem produzir continuamente, sem pausa, fadiga ou presença constante de pessoas.
Esse cenário inaugura o que Ricardo chama de era do “trabalho ilimitado”.
Nesse novo contexto, o gargalo deixa de estar na execução, já que a tecnologia permite produzir conteúdo, código, análises e soluções em escala praticamente infinita.
Aqui, a pergunta que fica é: “O que realmente vale a pena construir?”
Vai faltar emprego no futuro?
A preocupação com o impacto da tecnologia no mercado de trabalho também apareceu na conversa. Dados apresentados pelo Fórum Econômico Mundial indicam que, até 2030, o mercado deve passar por uma grande reconfiguração:
- 170 milhões de novos empregos devem ser criados;
- 92 milhões de funções tendem a desaparecer.
Ou seja, o problema não é necessariamente a falta de trabalho, mas a necessidade de adaptação.
Como a inteligência artificial está evoluindo nas empresas?
Depois de discussões sobre comportamento digital, economia dos criadores e transformação do trabalho, a última palestra do Zoop Payments Leadership ampliou o debate ao analisar os próximos passos da inteligência artificial dentro das organizações.
A análise foi apresentada por Lucas Pestalozzi, sócio e head de Inovação da HSR, que começou destacando o espaço que a IA ocupou nas conversas globais sobre tecnologia.
No SXSW 2026, por exemplo, o tema apareceu de forma dominante. Das 376 sessões dedicadas à tecnologia, 206 mencionaram diretamente inteligência artificial. Além disso, 20 sessões trataram especificamente de agentes de IA, um dos assuntos mais discutidos no momento.
Para entender esse avanço, Lucas explicou que a evolução da inteligência artificial pode ser entendida em diferentes gerações tecnológicas:
- IA preditiva, voltada para análise de dados e previsão de cenários;
- IA generativa, capaz de criar textos, imagens, código e conteúdos diversos;
- IA agêntica, formada por agentes que executam tarefas de forma autônoma;
- IA orquestradora, que coordena múltiplos sistemas e agentes simultaneamente;
- IA autônoma, ligada à robótica avançada e sistemas altamente automatizados.
Segundo ele, a maioria das empresas ainda se encontra na fase da IA generativa, explorando ferramentas que auxiliam na criação de conteúdo, análise de dados e produtividade.
Por outro lado, organizações mais avançadas já começam a experimentar modelos baseados em agentes autônomos, capazes de executar tarefas complexas de forma coordenada.
A velocidade da tecnologia está superando a velocidade das empresas?
Outro insight importante apresentado por Lucas foi a diferença entre o ritmo da evolução tecnológica e a velocidade das decisões corporativas. Segundo ele, esse gap vem crescendo rapidamente.
Enquanto novas tecnologias surgem e evoluem em ciclos cada vez mais curtos, muitas organizações ainda operam com processos decisórios tradicionais, e essa diferença pode se tornar um risco competitivo.
Logo, empresas que desejam acompanhar esse cenário de crescimento precisam acelerar a adoção tecnológica, bem como seus modelos de governança e experimentação.
Pagamentos como infraestrutura da nova economia digital
Ao longo do Zoop Payments Leadership, cada palestra trouxe uma peça diferente de um mesmo cenário em transformação. Inteligência artificial, novas formas de consumo, creator economy, mudanças no trabalho e a própria evolução da internet mostram que estamos vivendo uma reorganização profunda do ambiente digital.
Nesse contexto, pagamentos conectam plataformas, viabilizam experiências, sustentam novos modelos de negócio e permitem que produtos digitais circulem com fluidez entre empresas e consumidores.
Quando uma plataforma integra serviços financeiros, quando um criador monetiza sua audiência, quando uma marca transforma conteúdo em venda ou quando uma empresa constrói novas experiências digitais, existe sempre uma infraestrutura financeira operando nos bastidores.
É nesse ponto que o papel da Zoop se conecta com cada tema discutido ao longo do evento. Ao oferecer tecnologia para que empresas integrem pagamentos e serviços financeiros às suas próprias plataformas, a Zoop ajuda a viabilizar muitos dos modelos de negócio que estão moldando a economia digital.
Conheça mais sobre a Zoop e prepare sua empresa para o futuro.
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