
Embedded finance para ERP: como criar novas linhas de receita para o seu negócio

Os ERPs deixaram de ser apenas um repositório de dados e se tornaram plataformas financeiras ativas. E essa transformação aconteceu graças à nova era dos pagamentos no Brasil, que trouxe o embedded finance para ERP (Enterprise Resource Planning ou Planejamento de Recursos Empresariais).
Essa mudança está sendo impulsionada pelo avanço das “finanças embutidas”, modelo em que serviços financeiros são incorporados diretamente a plataformas digitais de negócios não financeiros.
Ou seja, em vez de dependerem exclusivamente de bancos ou intermediários, as empresas podem oferecer pagamentos, serviços bancários e crédito dentro da própria jornada do cliente.
E esse movimento não é pequeno. O mercado global de embedded finance pode alcançar US$ 834 bilhões até 2034, segundo projeções da Global Market Insights, o que representa um salto significativo em relação aos cerca de US$ 104,8 bilhões registrados em 2024.
Nesse cenário, o software ERP está especialmente bem-posicionado para capturar essa oportunidade. Afinal, já concentra as informações mais importantes da operação de uma empresa e é ideal para impulsionar o seu crescimento.
E se o ERP da sua empresa apenas organiza dados sem capturar o valor financeiro das transações e gerar mais receita, este texto é para você. Leia até o final e entenda como adaptar seu negócio à nova realidade.
O que é e como funciona o embedded finance para ERP?
O termo diz respeito aos serviços financeiros integrados diretamente ao sistema de gestão empresarial. Assim, permite que pagamentos, crédito ou contas digitais façam parte da operação do negócio. Na prática, em vez de resolver questões financeiras em bancos ou plataformas externas, tudo acontece dentro do ERP.
Esse modelo não é exatamente uma novidade, afinal, já faz parte da rotina digital de muitas empresas e consumidores. Por exemplo, aplicativos como Uber, iFood, Mercado Livre e Decolar integram as soluções financeiras diretamente em suas jornadas de compra.
Esse tipo de experiência está ligado ao conceito de unified commerce (comércio unificado), que busca eliminar barreiras entre os canais físicos e digitais para os clientes comprarem sem fricção.
Segundo pesquisa da Wake sobre omnicanalidade, 78,9% dos consumidores transitam entre canais online e offline durante a jornada de compra, o que reforça a importância de experiências integradas.
Entre os exemplos de soluções financeiras integradas estão:
- pagamentos em aplicativos;
- crédito em marketplaces;
- contas digitais em plataformas;
- seguros embutidos em serviços;
- empréstimos integrados em apps.
Essa integração entre os serviços e o ERP acontece por meio de APIs (Interfaces de Programação de Aplicações), ferramentas que permitem que diferentes sistemas se conectem e troquem dados com segurança e em tempo real.
Logo, nesse modelo, as empresas podem oferecer produtos financeiros sem precisar se tornar bancos.
Quais são os serviços financeiros para ERP?
Os serviços mais comuns são:
- pagamentos integrados: permitem que empresas recebam ou realizem pagamentos diretamente no sistema de gestão;
- contas digitais: alguns ERPs podem se integrar a contas empresariais, o que facilita o controle do fluxo financeiro;
- crédito e antecipação de recebíveis: com base nos dados do ERP, é possível avaliar risco e oferecer crédito mais adequado ao perfil da empresa;
- seguros ou benefícios financeiros: soluções como seguros ou proteção de receita podem ser incorporadas ao sistema.
Portanto, esses serviços financeiros para ERP permitem que as empresas realizem operações financeiras em seu sistema de gestão, sem precisar usar várias plataformas.
Afinal, como o ERP já concentra informações estratégicas, como faturamento, fluxo de caixa e histórico de vendas, o software se torna o ambiente ideal para oferecer as soluções financeiras personalizadas para seus clientes e parceiros comerciais.
De modo geral, o conjunto de soluções embedded finance para ERP exige três pilares principais:
- Tecnologia financeira avançada;
- Conformidade regulatória (regras legais do setor financeiro);
- Personalização de acordo com o negócio.
Quando bem-implementado os pagamentos integrados para plataformas criam experiências mais fluidas e aumentam o valor da empresa para seus usuários.
Como os pagamentos integrados em ERP funcionam?
Funcionam por meio do SaaS (Software as a Service), que conecta a gestão financeira diretamente aos meios de pagamento. Assim, atividades como cobrança, recebimento e conciliação acontecem dentro do próprio ERP, sem depender de ferramentas externas. Além da oferta de contas digitais, seguros e empréstimos para consumidores e parceiros.
Nesse formato, o SaaS que se integra ao seu ERP é oferecido como um software na nuvem, acessado pela internet mediante assinatura. Logo, a empresa não precisa instalar o sistema localmente nem manter infraestrutura própria, pois tudo funciona online, com atualizações automáticas.
Apesar dessas vantagens, muitos negócios ainda enfrentam um desafio importante: o pagamento costuma acontecer fora do sistema. Ou seja, o software registra a venda e organiza os dados da operação, mas a transação financeira acontece em outra ferramenta ou instituição.
Dessa forma, quando o pagamento acontece fora do ERP, surgem três desafios principais:
- perda de visibilidade completa das transações;
- dependência de intermediários financeiros e aumento dos custos;
- perda de oportunidades de gerar receita para a própria plataforma.
E para facilitar o gerenciamento, essa integração se torna cada vez mais necessária, afinal, a digitalização dos pagamentos avança rapidamente.
Segundo dados da Abecs, 73,6% das compras realizadas em 2025 foram via pagamento por aproximação, enquanto em dezembro de 2020 esse número era de apenas 5,4%.
Assim, devido à nova demanda do mercado, o ERP passa a participar diretamente da operação financeira. E é justamente nesse ponto que surge uma nova possibilidade estratégica: transformar as transações em novas fontes de receita, além de aumentar a retenção dos clientes..
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Como acontece a monetização de ERP com serviços financeiros?
Ao integrar soluções financeiras, o ERP pode criar novas fontes de receita, como:
- pagamentos integrados: a plataforma pode receber uma porcentagem sobre o volume total transacionado (TPV);
- conta digital com marca própria: chamado de Banking as a Service (BaaS), permite que uma empresa ofereça contas digitais, serviços e cartões com a sua identidade visual;
- crédito baseado em dados: com informações de vendas e fluxo de caixa, o sistema pode oferecer antecipação de recebíveis ou empréstimos para consumidores e parceiros comerciais.
Esse modelo também ajuda a reduzir o churn (taxa de cancelamento de clientes) em negócios com modelo de assinatura, que funcionam com pagamentos recorrentes, porque permite automatizar pagamentos de forma simples para todos os envolvidos.
Veja um exemplo de monetização de software SaaS para entender melhor: se uma empresa tiver 3.000 clientes e um faturamento médio mensal de R$ 80 mil, gera um TPV mensal de R$ 240 milhões. Com monetização de 0,5% sobre pagamentos, a receita potencial poderia chegar a R$ 1,2 milhão por mês. Assim, dados e dinheiro podem convergir dentro da plataforma.
E com a evolução da tecnologia e a inserção da inteligência artificial, o embedded finance para ERP se torna cada vez mais rápido, seguro e eficiente.
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O que o iFood Pago ensina sobre embedded finance?
Durante a pandemia de 2020, os bares e restaurantes sofreram forte impacto econômico, com quedas próximas de 30% no faturamento. Ao mesmo tempo, muitos desses negócios enfrentavam dificuldade para obter crédito em bancos tradicionais. A resposta do iFood foi criar um conjunto de soluções financeiras voltadas para seus parceiros.
As principais iniciativas foram:
- contas digitais;
- antecipação de recebíveis com taxa especial;
- crédito exclusivo para compra de insumos.
Logo, o diferencial estava nos dados do próprio ecossistema.
Como o iFood já tinha acesso ao histórico de vendas, frequência de pedidos e sazonalidade, foi possível oferecer soluções financeiras mais ajustadas à realidade dos estabelecimentos.
Esse modelo mostra como as plataformas digitais podem usar seus próprios dados para criar serviços financeiros mais eficientes. Porém, a implementação não é apenas para grandes players do mercado, mas para todo e qualquer negócio que deseja monetizar suas transações e oferecer meios de pagamentos modernos em seus canais físicos e online.
Como preparar seu ERP para o embedded finance?
Alguns passos ajudam a estruturar essa transformação, como:
- Integre os pagamentos: soluções como Pix, links de pagamento e conciliação automática são portas de entrada naturais para o embedded finance, pois geram valor imediato;
- Use os dados do sistema: como o ERP já registra vendas, fluxo de caixa e sazonalidade, essas informações podem apoiar ofertas de crédito;
- Escolha parceiros de infraestrutura financeira: em vez de assumir toda a complexidade regulatória, integre soluções por meio de APIs e plataformas especializadas.
Na prática, a adoção dos pagamentos integrados em ERP acontece de forma gradual: começa por integrações simples e evolui para serviços financeiros mais completos e monetizados.
Nesse cenário, a Zoop atua como uma infraestrutura financeira (PaaS/BaaS) completa, pois permite que empresas integrem pagamentos e outros serviços financeiros com marca própria, sem precisar se tornar um banco. Assim, o ERP pode evoluir de sistema operacional para hub financeiro do ecossistema empresarial.
Fale com os nossos especialistas e saiba como adotar o embedded finance para ERP de modo simples e seguro.
Este artigo foi escrito por Felipe Brandão, Head Comercial da Zoop.
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